sexta-feira, 8 de outubro de 2010

UM POUCO DE POESIA PARA UM INÍCIO DE FINAL DE SEMANA

Hoje é sexta-feira, tem muita atividade pela frente no decorrer da tarde, mas dá tempo de parar um pouco e incluir uma poesia para tornar o início do final de semana mais suave, colorido, repleto de afeto. As cognições necessitam das emoções e vice-versa: são indispensáveis e caminham entrelaçadas - uma não existe sem a outra.
Então, eis o cardápio poético de hoje:  A PROCURA (de Cora Coralina)

"Andei pelos caminhos da Vida
  Caminhei pelas ruas do Destino -
  procurando meu signo.
  Bati na porta da Fortuna,
  mandou dizer que não estava.
  Bati na porta da Fama,
  falou que não podia atender.
  Procurei a casa da Felicidade,
  a vizinha da frente me informou
  que ela tinha se mudado
  sem deixar novo endereço.
  Procurei a morada da Fortaleza.
  Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
  perfumou-me os cabelos,
  fez-me beber de seu vinho.
  Acertei o meu caminho!

Temos muitas opções e caminhos e temos que saber aproveitá-los melhor e tomar decisões que nos propiciem melhor qualidade em nossa vida pessoal, vida profissional, relacionamentos interpessoais, sejam de amizade, coleguismo ou amorosos - todos envolvem esse nosso intrigante mecanismo de cognições e emoções. Esse é nosso eterno e constante desafio: saber utilizar nossas cognições e emoções de forma mais assertiva e funcional, dando mais sentido à vida. Isso é difícil, concordo com quem pensar assim, mas não é impossível!!!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A química das emoções

Que as emoções estão ligadas ao sistema nervoso e são desencadeadas por reações químicas, já não é novidade. A neurociência vem nos brindando com inúmeras descobertas e muitas publicações já foram feitas e continuam surgindo. Entre elas, destaco o livro "A Natureza do Amor", de Donatella Marazziti, editora Atheneu, que gostei muito de ter lido alguns anos atrás, quando foi publicado. Esse assunto continua (e sempre) despertando o interesse da ciência, pois possibilita a compreensão dos mecanismos que ocorrem no organismo que desencadeiam nossas emoções e os consequentes comportamentos. Hoje, acabei de ler na Revista Veja de 29 de setembro de 2010 uma reportagem muito boa sobre a química das emoções e a importância da dopamina, que é um neurotransmissor reconhecido como responsável pelo controle do sistema de recompensa cerebral. Vale a pena ler!!!

domingo, 26 de setembro de 2010

Pesquisas sobre conexões biológicas dos transtornos: aliadas ou não dos processos psicoterápicos?

Temos conhecimento que a ciência vem buscando de forma incansável desvendar os mistérios dos circuitos cerebrais que envolvem os transtornos psicológicos (desde as investigações mais simples feitas no passado até as pesquisas de ponta feitas no momento atual). Muitas descobertas importantes já ocorreram, as quais foram incorporadas aos conhecimentos científicos,  sendo hoje inegável a idéia de que existem mecanismos mentais  que, quando sofrem desequilíbrio, desencadeiam reações emocionais e comportamentais patológicas. O sistema nervoso central é reconhecidamente a base para a nossa capacidade de percepção, adaptação e interação com o mundo ao nosso redor, da mesma forma que os neurotransmissores são reconhecidos como substâncias químicas responsáveis pelo nosso comportamento, desde os movimentos musculares, ao humor e saúde mental.



Me despertou interesse quando li na ScienceDaily (Apr. 19, 2010), sobre  um estudo de pesquisadores da University of Western Ontario (Canadá) que foi publicado na Nature Neuroscience identificando a conexão biológica entre ansiedade, depressão e estresse. Em experiências com camundongos, rastrearam essa conexão e testaram um inibidor da depressão. O mecanismo envolveu a interação entre o receptor do fator de liberação de corticotropina 1 (que deflagra a ansiedade em resposta ao estresse) e tipos específicos de receptores do neurotransmissor serotonina (que induzem ao estado depressivo). O fator inibidor desenvolvido pelos pesquisadores atenuou comportamentos de ansiedade e de depressão. A próxima etapa do estudo terá o objetivo de verificar se a substância pode resultar em um novo agente farmacológico.

Tais investigações da ciência são extremamente importantes e certamente irão auxiliar na compreensão e tratamento psicofarmacológico dos transtornos, com o objetivo de diminuir o sofrimento dos indivíduos portadores de doenças mentais. É essencial reconhecer e valorizar os avanços da pesquisa científica, utilizando tais conhecimentos em prol do desenvolvimento da psicologia enquanto ciência.

Porém, temos que ter a clareza de que os psicofármacos auxiliam no tratamento, mas não desvalorizam, nem substituem a intervenção psicoterápica, apesar de sua importância na remissão dos sintomas. Os indivíduos com transtornos depressivos e de ansiedade apresentam uma produção constante de cognições negativas, as quais levam a emoções e comportamentos disfuncionais, reforçadores e mantenedores de seus problemas. E esse padrão cognitivo está relacionado às experiências vivenciadas  ao longo  da vida, originando as crenças nucleares negativas/disfuncionais do indivíduo a respeito de si próprio, do mundo e dos  outros, bem como de seu futuro.

Gostaria de destacar aqui que os processos psicoterápicos, em especial a psicoterapia cognitivo-comportamental, tem um importante papel no processo de reestruturação cognitiva dos transtornos mentais: auxiliar o indivíduo a identificar e alterar crenças ou pensamentos inadequados, levando a mudanças emocionais e comportamentais e, consequentemente, a um conceito de auto-eficácia e uma vida mais satisfatória.
Referência: University of Western Ontario (2010, April 19). Biological link between stress, anxiety and depression identified. ScienceDaily.

sábado, 11 de setembro de 2010

A ciência do altruísmo, da bondade e o tempo da delicadeza

Tenho ouvido falar e lido sobre o quanto praticar atos de altruísmo e bondade pode trazer satisfação às pessoas, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Fico me questionando sobre essas questões e como a ciência encara o assunto. Recentemente tive acesso a um material do psicólogo Dacher Keltner, diretor do Laboratório de Interações Sociais da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que escreveu o livro Born to be good: the science of a meaningful life (W.W.Norton, 2009, ainda sem tradução em português). Esses estudos investigam o poder da emoção humana inata, afirmando que o nervo vago, que é um feixe neural que se origina no topo da espinha dorsal, tem conexões com os receptores para a oxitocina,  neurotransmissor relacionado aos laços maternais, capacidade de vínculação e relações afetivas mais duradouras. As pesquisas descobriram que a ativação dessa região está associada aos sentimentos de cuidado e intuição humanas e  estimula o desenvolvimento de sentimentos como compaixão, gratidão, amor e felicidade.
Ao mesmo tempo, caiu em minhas mãos um livro de crônicas de Affonso Romano de Sant'Anna, "Tempo de Delicadeza"  e tudo isso tem me feito pensar, pensar e pensar... Sant'Anna fala em suas crônicas da importância da amizade, dos amores bons e amores maus, da necessidade de buscarmos a delicadeza em tempos  de violência, corrupção, injustiças e cita um verso de Vinícius "Elegia ao primeiro amigo", o qual vou destacar, entre tantos outros versos  "...Não sou bom, nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado. Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida. Como um lobo".
Bom... será possível que as pessoas consigam ser  bons, altruístas, melhores do que são e venham a controlar o seu lado fratricida,de lobo, construindo uma vida de maior delicadeza? Ou isto é mera utopia ... um delírio que tive em uma manhã de sábado chuvoso?

Quem tiver interesse em ler uma entrevista do psicólogo Dacher Keltner divulgada na Revista Mente e Cérebro de janeiro 2010, acesse o link abaixo:

http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_ciencia_da_bondade.html

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Programa de Desenvolvimento de Habilidades Sociais

IMED DESENVOLVE ATIVIDADE PARA SEUS ALUNOS

PRORROGADAS AS INSCRIÇÕES PARA O  PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS ATÉ DIA 08 DE SETEMBRO (QUARTA-FEIRA) À TARDE NO E-MAIL academico@imed.edu.br

domingo, 5 de setembro de 2010

Chamada de artigos para Revista de Psicologia da IMED

A Revista de Psicologia da IMED está recebendo artigos para submissão à publicação em sua terceira e quarta edições, referentes ao ano de 2010.

A Revista de Psicologia da IMED é um periódico científico eletrônico editado pela Editora IMED sob responsabilidade da Escola de Psicologia da Faculdade Meridional de Passo Fundo, IMED,RS, Brasil. Destina-se à publicação de trabalhos originais relacionados à produção científica nas diversas áreas da psicologia, de origem nacional e estrangeira.

Deixo aqui a todos que tiverem interesse um convite para acessarem os artigos das duas primeiras edições, os quais estão disponíveis na íntegra no endereço web http://revistapsico.imed.edu.br/revistapsico/edicao.php?cod=2

Marcia Wagner
Editora da Revista de Psicologia da IMED






Atenciosamente

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cientistas criam robôs que expressam emoção

Emoções em Robôs????? Isto é ficção ou realidade?

Foi publicada na Revista e Portal Exame a notícia abaixo ...

São Paulo - Pesquisadores europeus finalizaram o primeiro protótipo de um robô capaz de desenvolver e expressar emoções conforme interage com humanos.

Esta é a primeira vez que modelos primários de comportamento em primatas são usados para programar robôs com esta finalidade. Os protótipos trabalham com pistas não verbais, como postura, gestos e movimentos do corpo, tirando o foco da fala e da face. A pesquisa foi liderada por Lola Cañamero, da Universidade de Hertfordshire, em colaboração com um consórcio de universidades e empresas de robótica européias.


Os robôs foram criados a partir de modelos de vínculos observados em bebês humanos e chimpanzés. A afeição que desenvolvem depende da atenção que recebem - e eles tendem a se apegar mais ao humano considerado seu "cuidador" principal.

Eles são programados para se adaptar às ações e ao humor dos humanos e recebem um perfil de personalidade e necessidade de aprendizado, de forma que a personalidade do "cuidador" deve ser compatível com a do robô. Quanto mais interagem, e recebem feedback apropriado, e quanto mais sentem o comprometimento do humano responsável por ele, mais forte se tora o vínculo desenvolvido pelo robô e maior é seu aprendizado.


Os protótipos podem expressar raiva, medo, tristeza, felicidade, excitação e orgulho, e se mostram visivelmente desapontados se não recebem o apoio necessário quando estão em uma situação de estresse. O robô também demonstra quando seu responsável não interage com ele quando precisa.


A pesquisa é parte do projeto Feelix Growing (Feel, Interact, Express), patrocinado pela European Commission e coordenado pela Dra Cañamero. Seus outros parceiros incluem o Centre National de la Recherche Scientifique e Universidade de Cergy Pontoise (França), Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne (Suíça), Universidade de Portsmouth (Reino Unido), Institute of Communication and Computer Systems (Grécia), Entertainment Robotics (Dinamarca), e Aldebaran Robotics (França).

Qual sua opinião a respeito deste tema?